terça-feira, 18 de novembro de 2008

Alcoolismo Feminino... uma doença silenciosa

Alcoolismo Feminino... uma doença silenciosa.

(*) Patrícia Carvalho Zugaib

O alcoolismo feminino apresenta grandes repercussões clínicas e afeta muito a vida da mulher. Antes de abordar o tema mulher e álcool, preciso esclarecer que o alcoolismo é uma doença, ou seja, é uma doença incurável, progressiva e fatal.
Incurável, porque para o alcoolismo não existe cura, porém pode ser estacionada, ao se manter o tratamento, abstinente e em recuperação. Progressiva porque existe a questão da tolerância, que aumenta a cada uso do alcoolista e fatal porque pode levar a morte ou a loucura.
O alcoolismo é igual à dependência química. Aliás é uma droga como as outras, a única diferença é que assim como o tabaco, o álcool é uma droga lícita socialmente aceita.
Por conta do aumento da incidência mais precoce com um padrão de ingestão semelhante e de maior gravidade e morbidade da evolução da doença, o alcoolismo na mulher é uma questão atual. Alguns estudos levantaram a hipótese do alcoolismo feminino estar vinculado à síndrome pré-menstrual, também conhecida como TPM (Tensão Pré-Menstrual), em função dos sintomas psíquicos (irritabilidade, ansiedade, tensão, dentre outros) e físicos (aumento da sensibilidade das mamas e dor abdominal).
O que ficou comprovado é que de fato quem apresenta histórico de alcoolismo familiar desenvolvia o alcoolismo e, consequentemente, aumentava o uso do álcool no período pré-menstrual.
Existe a hipótese de que os sintomas da síndrome pré-menstrual poderiam desenvolver o alcoolismo feminino, uma vez que, induziria a ingestão do álcool nas mulheres com síndrome pré-menstrual (SPM). Como a princípio o álcool “camufla” os sintomas de irritabilidade, ansiedade, tristeza, no momento do sofrimento perimenstrual, a maneira que muitas mulheres buscam para aliviar a dor é no álcool. O problema é que neste ato simples e tão aceito por nossa sociedade, está escondida uma doença silenciosa, e muito poderosa, capaz de destruir lares, grandes profissionais e muitas vidas.
O consumo abusivo e/ou a dependência do álcool traz, reconhecidamente, inúmeras repercussões negativas sobre a saúde física, psíquica e social da mulher.
Existe um maior risco relativo para suicídio e acidentes fatais entre mulheres que consomem acima de três doses diárias de bebidas alcoólicas.
Dados recentes confirmam que, mesmo que o consumo de álcool seja menor no sexo feminino, seu impacto pode ser maior que no sexo masculino. Esses dados foram avaliados por meio de relatos de problemas associados ao álcool.
Atualmente o consumo de drogas tanto lícitas (álcool, tabaco e medicamentos), quanto ilícitas (cocaína, maconha, etc.), tem sido maior entre o sexo feminino. As adolescentes experimentam cada vez mais cedo as drogas. A maioria faz uso ocasional de álcool, até mesmo nas festas e reuniões de família. Isto mostra que aspectos socioculturais também influenciam de forma particular o padrão de consumo do álcool entre as mulheres.
Já as mulheres consideradas mais maduras, acima dos 40 anos, muitas utilizam-se do álcool como uma maneira de automedicação, para aliviar a depressão.
Também estão expostas a um maior consumo alcoólico, associado a uma falta de estrutura familiar.
Para o alcoolismo é necessário que a mulher faça um tratamento para que ela perceba que existe prazer sem o álcool. É importante estimulá-la a desejar ter uma qualidade de vida e ajudá-la a descobrir seus recursos internos.
É importante que a mulher alcoolista procure um médico psiquiatra para que ele prescreva a terapia medicamentosa, pois a síndrome de abstinência do alcoolismo é muito perigosa. Pode levar a pessoa a morte, portanto, é necessário que faça um acompanhamento médico e medicamentoso, evitando assim, convulsões, surtos, etc.
Junto com o médico, é necessário que faça acompanhamento psicológico, para aprender a lidar com suas emoções e descobrir ferramentas para se manter abstinente, resgatando valores que o álcool distanciou. Existe também a sala de Alcoólicos Anônimos (AA) que há muitos anos tem obtido muito sucesso para os alcoolistas que desejaram mudar suas vidas.

Não deixe que o alcoolismo destrua sua vida e sua família. Trate-o!


(*) Patrícia Carvalho Zugaib
Psicóloga Clínica

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