terça-feira, 3 de março de 2009

FUMAR X NÃO FUMAR - O DEPOIMENTO

Dedico este texto a todos os usuários de drogas, seja ela qual for, e á minha melhor amiga!!!

FUMAR X NÃO FUMAR: O DEPOIMENTO

(*) Patrícia Carvalho Zugaib

É muito interessante conversar e observar as pessoas que fumam. E Depois quando elas param de fumar.
Dizem por aí, que “ex-fumante” é pior do que os que nunca fumaram. Eu, particularmente acredito que isto é muito relativo, pois depende muito do motivo que fez a pessoa parar.
Já ouvi muitas vezes pessoas falarem sobre sua vontade de parar de fumar, então, questionei: Até que ponto realmente esta pessoa deseja parar de fumar?
Sei que cada pessoa tem seu jeito de ser e de agir, e não estou aqui para criticar ninguém, somente para observar e ouvir, afinal, esta é minha profissão.

Ouvindo fumantes e ex-fumantes, percebo que o cigarro vai além de um vício, as pessoas o tratam como amigo, algo com quem possam desabafar, pensar, filosofar, ou simplesmente curtir uma fossa e/ou uma euforia qualquer.
O ato de tragar, ou fumar, implica também em um ritual - ritual este que também gera prazer, como por exemplo: acender um cigarro logo depois do café preto, fumar após o almoço, fumar quando está extremamente nervoso ou com raiva, quando está criando algo, e assim sucessivamente.
O cigarro para um tabagista é o seu maior amigo é aquele que não poderá faltar em nenhuma ocasião, e se caso ele não for bem vindo, o fumante fica desapontado, magoado e muitas vezes se sente ofendido.
Quando o fumante para de fumar e se torna aquele cara chato, que muitas vezes é um inconveniente, é somente um mecanismo de defesa, pois ele pode estar simplesmente com seu desejo recalcado e não assume o quanto gostaria de estar fumando.
Existe aquele ex-fumante que é legal, que não se incomoda com aquele que fuma, e deixa claro que se ele pudesse, ele também fumaria, partilharia daquele momento tão prazeroso, que somente um fumante sabe o que é.

Aqui então vai o depoimento de um ex-fumante.

“Resolvi parar de fumar, pois estava me sentindo cansado, tinha fortes dores de cabeça, meu nariz ficava estranho e já não tinha pique para mais nada.
Todos implicavam comigo, pois a maioria dos meus amigos não fumam... É interessante, porque nos primeiros dias não senti muita vontade, e nem tanta falta deste meu querido vício.
Com o passar dos dias, fui ficando mais irritado e sonolento, desejando um cigarrinho, que fosse somente para dar um “traguinho”, e isso aconteceu por vários dias.
Eu tentei resistir bravamente ao meu desejo de fumar, toda vez que passava um fumante por mim, eu respirava fundo com imenso desejo de pedir um cigarro, mas me sentia envergonhado, afinal porque que eu fui parar de fumar?
Essa realmente é uma questão que não me sai da cabeça, eu mesmo tomei uma atitude, e agora brigo comigo mesmo. Que loucura...
Às vezes percebo que já não sei o que e o porquê desta decisão que tive. Agora fico por aí, morrendo de vontade de fumar e não fumo, quando me pergunto eu mesmo respondo para mim, é melhor para você não fumar.
Aí, eu fico louco, porque digo isso para mim mesmo, quem foi que me mandou parar? Porque estou me consolando?
Olha só! Quanta briga interna em função do meu amigo.
Lembra daquela música do cantor Lobão? “um café, um cigarro, um trago, tudo isso não é vício, são companheiros da solidão...”
É isto mesmo, quando eu fumava, não me sentia só, eu e meu cigarro, sozinhos na mesa de um bar, era como se ele respondesse aos meus pensamentos acelerados e compreendesse minha tristeza.
Cada tragada, um alívio..., uma satisfação...
É assim que ele te acompanha, nos momentos difíceis e na mais profunda reflexão de sua vida.
Parar de fumar exige muito esforço. É como terminar um namoro ainda apaixonado por sua mulher, é como perder seu melhor amigo, é não ter ninguém para te acompanhar.
Existem situações em que a primeira coisa que desejo é acender o meu cigarro, e quando me lembro que não estou mais fumando, me dá uma tristeza, um vazio imenso, uma dor inconsolável.
Teve um dia a alguns meses atrás, que eu estava na mesa de um bar com um amigo meu, quando percebi um casal a minha frente. Comecei a olhar na mesa e vi que o sujeito fumava e minha vontade era de lhe pedir um cigarro. O pior de tudo é que fumava a mesma marca que eu fumava. De repente esse sujeito acendeu seu primeiro cigarro e eu não conseguia desviar o meu olhar do maço de cigarro do rapaz. Comecei a falar para o meu amigo da minha vontade, pois dizem que quando você fala, sua vontade passa, mas não foi o que aconteceu comigo - minha vontade foi aumentando de uma maneira que não agüentei e cai em um choro totalmente compulsivo.
Ali ficou provado o quanto o tabaco realmente dominou minha vida, sinto vontade várias vezes ao dia. Se vou voltar a fumar?
Não sei, aliás eu nem mesmo sei porque parei, o que sei é que só por hoje, apesar de amar minha droga, ainda vou me manter em recuperação.
Só por hoje!!!!!!”

Aqui ficou explicito o quanto é difícil uma pessoa parar com seu vício, uma vez que a droga de preferência se torna seu maior e muitas vezes melhor companheiro.
O ato de ficar sem a sua droga gera um imenso vazio, que faz com que o dependente questione o porquê ter que parar se ele não deseja, questionar o porquê não pode e porquê faz mal, e é neste momento em que todo dependente nega os males das drogas.
Dizem que o número de fumantes está cada vez menor, acredito que de ex-fumantes, pessoas mais velhas que por algum motivo, até mesmo de saúde, decidiram parar de fumar, mas quando observo os adolescentes, não é bem isto que encontro. Vejo meninos e meninas de 11 anos fumando se entregando a este prazer que nada de bom trará para seu futuro.


(*) Patrícia Carvalho Zugaib
Psicóloga Clínica
Rua Joaquim Távora, 222
Vila Mariana - São Paulo
F. 5573-6979 / 9176-2067

Um comentário:

Anônimo disse...

Sei como é difícil! Estou sem fumar há 15 dias e sinto uma vontade louca! Mas sinto-me feliz e orgulhosa de mim mesma pela minha decisão. Pensei q fosse sofrer mais, mas botei na cabeça q a vontade dura pouquíssimos minutos e q posso me ocupar durante esses minutos. Qdo percebo, a vontade já passou. Na primeira semana eu dava um trago, apenas um trago, qdo a vontade apertava pra valer. Mas eu ficava p da vida comigo mesma por não resistir àquele trago. O q tem me mantido firme são os benefícios de não fumar. Minha pele está clareando, não tenho mais cheiro de cinzeiro, meus filhos não brigam comigo e com o dinheiro q eu compraria uma carteira de Carlton, compro coisas saborosas q dão mais prazer q o cigarro e não me fazem mal.Sei q vou engordar muito, mas preciso. Perdi muito peso durante 22 anos de um vício idiota. Não desista. Beba líquidos qdo a vontade apertar, chupe pirulito, coma confetti, é ótimo. Alívia muito a vontade. Evite as situações q combinam com o cigarro, mude sua rotina. As horas em q eu mais sinto vontade são aquelas em que estou fazendo o serviço de casa. Daí eu paro, ocupo minha mente com um jogo ou com uma revista. A gente descobre meios de evitar o primeiro traguinho. O prazer q sentimos em nos livrar do vício é muito maior q o prazer de fumar.